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Salvador Correia, Fotografias

Pai, Marido, Fotógrafo

Salvador Correia, Fotografias

Pai, Marido, Fotógrafo

Feira de São José 2017





















Na aldeia de Oliveira São Mateus em Vila Nova de Famalicão de onde é natural a minha familia materna, todos os anos por alturas do dia do Pai, em Março, dá-se ainda um dos últimos bastiões da romaria tipica portuguesa, a romaria de São José.

Este ano (o que passou vá) fomos mostrar a uma criança por nascer o que é um verdadeiro arraial de aldeia e não as modernices da cidade.

Foquem-se na classe com que se vão comprar bancos de madeira à romaria. (Última foto por favor).




Vou voltar às coisas do dia a dia que com isto de fazer documentários ainda te processam

É verdade, depois do que escrevi na última semana, a defender (acho eu) não só a raíz humana de uma fábrica e os trabalhadores, como toda uma região e condenar o que o correr dos tempos (para não entrar em politiquices) lhes fez, fui ameaçado com um processo por ter tirado fotografias a uma fábrica com vários km quadrados, onde um dos pavilhões é um parque recreativo para skaters e patinadores e onde o "porteiro" é um senhor em reabilitação - ou não - das drogas.

E claro está, o caminho de entrada é partilhado com um minipreço. Não, não assaltei muro nenhum, e volto a dizer, a minha mãe (uma senhora de 56 anos que trabalhou quase 40 naquela fábrica) esteve sempre comigo.

Fica o apontamento para refletirem, tinha que partilhar convosco.

Hoje, têm direito a senhores distintos a ter encontros casuais na rua, senhoras com penteados espetacularmente simétricos e um bocadinho de brincadeira com sombras, só porque me apeteceu.







Sampaio Ferreira e Cª Lda, a minha segunda visita

Há temas que realmente se tornam tão especiais para ti que lutas uma batalha contra a objetividade.

Por muito que tentes não consegues fugir do apego que te levou ao tema em primeiro lugar, especialmente quando o tema trata de um local, físico, e que há data de hoje existe, por enquanto.

Confesso-vos que rios de tinta já foram gastos a falar sobre o fenómeno do fim do Vale do Ave, tanta tinta de propaganda política e promessas que nunca chegaram, tanto falar em conjunturas económicas e tão pouco no que restou socialmente, quanto mais pensar nos operários de tanto se perderem a falar nos patrões.

Eu hoje sou só mais um a tentar não fazer esquecer o que onde antes haviam pessoas a viver uma vida intensa de trabalho, hoje é uma zona do nosso país a lutar por sobreviver e manter as pessoas que outrora ficaram sem emprego quer a a tentar desesperadamente recuperar os filhos das fábricas (como eu) que perdeu para as grandes cidades.

Hoje vou falar-vos sobre fábrica têxtil Sampaio Ferreira e Cª Lda, em Riba d'Ave, Vila Nova de Famalicão.

A fábrica Sampaio Ferreira e Cª Lda foi fundada em 1896 em Riba D'Ave pelo então tecelão Narciso Ferreira, que vem a tornar-se um dos maiores industriais do país, sendo mesmo o nome maior da indústria têxtil em Portugal, podendo mesmo este ser considerado uma das figuras nacionais precursoras do aproveitamento hidroeléctrico, uma vez que a fábrica Têxtil Eléctrica de Caniços (outro dos seus empreendimentos) terá sido a primeira a utilizar este tipo de energia.

Esta fábrica situa-se na zona central da Vila de Riba D'Ave, onde no tempo ido de funcionamento da fábrica a 100% se podia assistir a um verdadeiro corropio de pessoas a dar vida a uma vila cada vez mais crescida e em expansão com o desenvolvimento dos negócios em redor da fábrica que ao mesmo tempo faziam crescer as zonas adjacentes com o aparecimento de mercados, escolas que servem uma grande parte do concelho, a renovação do velhinho hospital da misericórdia (fundado também ele por Narciso Ferreira).

Era uma emoção ir a Riba D'Ave ao mercado ao sábado de manhã. Era para uma criança de um meio relativamente pequeno como eu, uma ida a uma cidade em ponto pequeno, onde, apesar de a minha mãe (funcionária da fábrica) conhecer toda a gente e tudo ser o mais familiar possível, a minha percepção daquela vida, daquela azáfama, da visita às grandes lojas já com os eletrodomésticos que ainda não eram  fáceis de se ver, e claro, poder comprar aquele power ranger que me faltava. E tudo isto se conseguia ali a um sábado de manhã.

A história da minha família materna, confunde-se com a história desta fábrica, onde mesmo em diferentes alturas e em diferentes praticamente todos acabaram por lá passar. Desde o meu avô nos idos anos 40/50 até a minha tia mais velha que se manteve na fábrica até ao último dia num dos dias de 2005, bem, até algumas primas minhas ainda sem saber o que as rodeava ficaram várias vezes "hospedadas" na creche da fábrica. Era mesmo assim.

Fizeram-se famílias ali. Criaram-se famílias ali. Casamentos se fizeram, casas que se construiram e acabaram por destruir porque em tempos quando uma fábrica tinha aproxidamente 2000 funcionários e uma energia própria de cidade onde se poderia facilmente viver, e vivia!

E por mais memórias parvas de criança que possa estar a escrever, e as sensações que possa estar a reviver, nenhuma delas chega à sensação do murro no estômago que é correr a fábrica por dentro, agora, com quem o fez todos os dias desde que era uma criança até à idade adulta.

E custa-me contar-vos em palavras o que me passou pela cabeça, o que me passou pelo coração.

Esta história vou deixar que sejam as imagens a contar.

Um dia vou voltar a este projeto e dar voz à minha família, um a um, e ouvir as histórias dos meus avós, contada pelas filhas da fábrica de então, as minhas tias e mãe.

Fui visitar a fábrica duas vezes, sempre com a minha mãe hoje trago-vos as imagens da segunda visita em julho de 2016.































Feliz 2018

Depois destes (imensos, demais dias) a digerir os biliões de mensagens, cheias de desejos, inspiração tirada dos livros do Dr. Gustavo Santos, gifs animados com fogo de artificio a fazer pisca pisca, e paredes de texto sobre como este ano foi repleto de profundidade e vontades por cumprir, estou confesso que nem sei bem o que vos diga.

A verdade é, todos os anos, passamos por este processo ritual de deitar fora o que passou e aproveitar a mudança no calendário para uma espécie de novo começar onde não temos nada, nada a fazer se, como em todos os anos nos mantivermos exatamente iguais.

Por isso, os meus votos para 2018 são: façam alguma coisa por ser felizes, peguem na energia toda que concentraram nos pedidos que fizeram à meia noite e façam-na transformar-se naquilo que realmente querem.

Porque o novo ano meus amigos, se não fizermos nada por isso, são só mais 365 dias novamente.

Feliz ano novo.