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Salvador Correia, Fotografias

Pai, Marido, Fotógrafo

Salvador Correia, Fotografias

Pai, Marido, Fotógrafo

Diário fotográfico do Porto I

Tentem escrever um blogue com uma criança pequena em casa que depois a gente conversa.
É que dormir para além de ser bastante prazeroso dizem que é essencial ao teu desenvolvimento psicológico, ou mesmo que não desenvolvas, ajuda-te a não andar para trás.

Agora que já me saiu o desabafo, vamos começar o meu primeiro post sobre os passeios fotográficos que vou fazendo pela cidade do Porto.

A verdade é que estes passeios fotográficos são um vicio antigo que fui interrompendo e só fazia passeios (imagine-se!), mas vou tentar ir ao baú buscar as fotografias desde o tempo da HP Photosmart que me fez gostar de olhar para a cidade do Porto.

O Porto  é a segunda cidade e o quarto município mais populoso de Portugal, situada no noroeste do país e capital da Área Metropolitana do Porto, da região Norte e do Distrito do Porto.

O Porto é a cidade que deu o nome a Portugal – desde muito cedo (c. 200 a.C.), quando se designava de Portus Cale, vindo mais tarde a tornar-se a capital do Condado Portucalense, de onde se formou Portugal. É ainda uma cidade conhecida mundialmente pelo seu vinho, pelas suas pontes e arquitetura contemporânea e antiga, o seu centro histórico, classificado como Património Mundial pela UNESCO, pela qualidade dos seus restaurantes e pela sua gastronomia, pela sua principal equipa de futebol, o Futebol Clube do Porto, pela sua principal universidade pública: a Universidade do Porto, colocada entre as 200 melhores universidades do Mundo e entre as 100 melhores universidades da Europa, bem como pela qualidade dos seus centros hospitalares.

Desdes os tempos da fundação que a cidade do Porto é um simbolo de resiliência, coragem e luta pelo liberalismo que lhe valeu mesmo o título da única cidade Invicta de Portugal.

E que fácil era, introduzir agora um "e quem dera que ainda assim fosse" não era? Mas vou deixar a conversa triste para depois, a verdade é que hoje, não posso dizer do Porto o mesmo que disse de Matosinhos, o Porto hoje, deixou-se bater e onde antes havia um foco de resistência contra tudo e contra todos, hoje, somos pouco mais do que futebol. Desculpem-me a sinceridade. Mas como disse, mais sobre isto noutros posts.

Não obstante, eu nasci no Porto e vivi em Famalicão até aos 18 anos, mas sabem aquela sensação que o meu coração ficou onde nasci? É verdadeiramente estranha a sensação.

A melhor maneira que tenho de resumir a minha relação com a cidade do Porto é como podemos resumir um casamento com a mulher da vossa vida: todos os dias vou falar mal, chamar-lhe chata, dizer que me aborrece com as suas coisas, mas a verdade é que não consigo passar um dia sem ela.





















Diário fotográfico de Matosinhos I

O que é que posso dizer?

Primeiro estranha-se depois entranha-se, o grande clássico dos clichés recessos que também tenho direito a usar.

Matosinhos é uma cidade portuguesa, pertencente ao distrito do Porto, sede de um munícipo formado por quatro freguesias limitado a norte pelo município de Vila do Conde, a nordeste pela Maia, a sul pelo Porto e a oeste tem costa no oceano Atlântico.

Matosinhos, juntamente com os concelhos vizinhos do Porto e de Vila Nova de Gaia, forma a Frente Atlântica do Porto, que constitui o núcleo populacional mais urbanizado da Área Metropolitana do Porto, situado no litoral, delimitado, a oeste, pelo Oceano Atlântico.

É uma cidade, habituada desde cedo a lidar com os problemas da estratificação social e definição do que são os verdadeiros locais contra a tomada de posse da frente do mar (que hoje é bem mais do que a frente) pelos grupos mais avanjatados vindos de fora. 

Com o desinteresse pelas classes altas na habitação no centro do Porto, a construção da nova marginal de Matosinhos vem reunir em polo um conjunto de habitações dedicadas não aos naturais de Matosinhos mas aos influentes vindos de fora e na altura desinteressados por habitar no Porto.

Hoje, Matosinhos resiste, sem se falar dele com o fervor de antigamente, associado aos bairros e movimentos dos pescadores, batalhando uma guerra cada vez maior espelhada pelo que é a Rua Brito Capelo, outrora a "Santa Catarina de Matosinhos", hoje o reflexo claro do que está a ser tomado pela gentrificação, vejam senão o que é esta rua até à Avenida da República e depois dela.

O engraçado, não deixa de ser nunca, que de Matosinhos tão pouco se fala senão como sendo o dormitório dos ricos, mas no fundo no fundo, há um pulsar incessante de quem é dali que não deixa o espírito morrer. 

Matosinhos resiste enquanto o Porto vai aos poucos e poucos perdendo a sua resiliência.

E é impossível não gostar destas lições de grandeza.